Qual o Melhor Método
Para Aprender Inglês?

por J. Rodegheri


Estudar inglês não é uma "moda" atual. Desde os anos 70, e até antes, a procura por cursos de inglês sempre foi muito grande.
Podemos calcular em muitos milhões a quantidade de brasileiros que já tenham estudado inglês em algum período da sua vida! (mesmo se não incluirmos os que estudaram inglês apenas como parte do currículo escolar)
É até provável que seus pais, tios e mesmo avós já tenham estudado inglês em escolas de idiomas antes de você! E, assim como hoje em dia, certamente atraídos pela grande quantidade de anúncios oferecendo "sucesso garantido"...
Mas qual porcentagem de toda esta multidão que já passou por cursos de inglês consegue de fato falar, ou mesmo apenas compreender um falante de inglês normalmente?

Certamente uma porcentagem bem pequena...
Mesmo hoje em dia os cursos de inglês possuem uma quantidade muito, muito maior de alunos inciantes que de alunos que conseguiram, de fato, chegar aos níveis mais avançados (entendendo ou não o inglês falado).
Mas então de quem será a culpa pela falta de sucesso da maioria das pessoas que decidem estudar inglês?
Dos cursos? Dos professores? Dos próprios alunos?

Muitos dirão que a culpa é dos métodos utilizados.

É possível, mas não podemos esquecer que um método não é apenas um livro ou um conjunto de livros.
Um método é, sobretudo, A FORMA como os materiais didáticos (incluindo os livros) são utilizados em aula.
Portanto: uma soma das atitudes do curso, das atitudes do professor, e também das atitudes do próprio aluno (estas baseadas nas instruções que ele tenha recebido do professor/curso) tendo em vista aproveitar o que há de melhor no material didático em uso (que também deve ser de ótima qualidade, é claro).

A falha de qualquer um destes elementos (curso/ professor/ aluno/ material didático) essenciais para o método adotado irá comprometer em muito o processo de aprendizagem do idioma, e engrossar as estastísticas das pessoas que estudaram inglês, mas não aprenderam.

Vamos analisar cada um destes itens:


O CURSO -

Um curso de inglês deve possuir salas bem iluminadas (má iluminação causa sono e prejudica o raciocínio) e ventiladas (dificuldade de respiração também prejudica o raciocínio!), e cadeiras confortáveis (nem preciso comentar o quanto uma dor nas costas atrapalha a concentração, não é?).
Certamente que tudo isto vale também para o local de estudo em casa (ou no escritório) se a opção for aulas particulares.

O curso deve também ser exigente na sua seleção de professores - Desconfie de cursos onde a maioria dos professores parecem ser adolescentes "fazendo bico" para levantar uma graninha extra fora do horário da faculdade! Cursos que oferecem os melhores sa1ários para seus professores pegam os melhores profissionais. (O sa1ário dos professores é um peso grande nas despesas dos cursos, e alguns deles economizam neste ponto para que sobre mais dinheiro para publicidade etc.)

Outro ponto importante a ser considerado na escolha de um curso é a quantidade de alunos por turma. Aí também muitos cursos fazem grande economia, colocando o máximo de alunos por professor (ou seja, com o sa1ário de um único professor eles esperam receber mensalidades de uma grande quantidade de alunos).
Para perceber a importância que a quantidade de alunos por turma tem em relação ao aprendizado basta uma conta bem simples:
Em uma aula de inglês de 90 minutos, em uma turma com 10 alunos, se cada um dos alunos resolvesse conversar com o professor, para praticar/ verificar sua pronúncia e fluência, ele iria ter direito a apenas 9 minutos de conversação! (9 minutos X 10 alunos = 90 minutos) (Considerando que nesta conversa o professor fale 50% do tempo, o tempo de prática do aluno assistida pelo professor cairá para apenas 4,5 minutos por aluno em cada aula.) Isto se nestas aulas nenhuma matéria for apresentada!
Impressionante, não?
(Não é de admirar, portanto, que a maioria das pessoas, mesmo após anos estudando em cursos, não consigam manter uma conversação em inglês...)

Resumindo: Um bom curso deve oferecer um ambiente agradável, professores profissionais e poucos alunos por turma.


O PROFESSOR -

O professor deve ser, de preferência, alguém com bastante experiência. Afinal, existem tantos imprevistos em uma aula de inglês quanto existem alunos. Não é raro cada um dos alunos ter dificuldade em um ponto diferente dos demais, e o professor deve estar preparado para resolver todas as diferentes dúvidas da forma mais eficiente possível, sem perder muito tempo (para não prejudicar os demais alunos que não tiverem a mesma dúvida e estão ansiosos para seguir em frente).
Mas cuidado: ser experiente não significa ser chato. Muito pelo contrário: Aquele professor pedante, sem criatividade, causa tanto sono quanto uma sala mal iluminada!

Além de experiente, o professor deve também possuir um excelente conhecimento da língua e ser capaz de transmitir este conhecimento da forma mais eficiente possível aos seus alunos. Observe que apenas ter um excelente conhecimento da língua ou apenas ser capaz de dar excelentes explicações não será suficiente! - Ambas qualidades são igualmente indispensáveis em um professor!
Para entender o porquê, imagine, por exemplo, um falante nativo de algum idioma - alguém que você conheça: o seu primo, por exemplo, nascido e criado em São Paulo. Ele é um falante nativo da língua portuguesa, ou seja, possui um grande conhecimento da língua portuguesa - Mas será que isto significa que ele seja capaz de ensinar português para alguém que não fale esta língua?
De forma alguma, certo? Apesar de saber muito bem falar o idioma, pode estar lhe faltando algo essencial: saber como ensinar. Então, recapitulando:

Um professor deve ser experiente, criativo e não deve ser "chato". Deve também possuir um grande conhecimento do idioma que ensina e sobretudo deve saber transmitir este conhecimento ao aluno.


O MATERIAL DIDÁTICO -

Os materiais didáticos tem evoluido muito nos últimos anos, e hoje em dia é até difícil mencionar materiais didáticos que não sejam bons. Muitos deles apresentam o vocabulário e as construções típicas da língua inglesa de uma forma bem natural, agradável e mesmo divertida, fazendo com que a língua nova seja apresentada como um idioma mesmo, e não como uma receita de bolo ou uma tabela periódica dos eIementos químicos a ser decorada, como acontecia no passado.

A escolha do livro a ser usado vai depender do professor. Mas de uma forma geral, ele deve ter um visual agradável (sim, páginas com letras e figuras "embaralhadas demais", fotos pouco nítidas, letras difíceis de serem lidas etc cansam a vista, e consequentemente, cansam também a mente - portanto NÃO às cópias ("xerox") em preto-e-branco também!).
O livro deve também ser comunicativo - ou seja (explicando da forma mais resumida possível): com bastante diálogos apresentando situações bem naturais (como as do dia-a-dia de qualquer pessoa), com frases igualmente naturais dentro do contexto desses diálogos (não aquelas coletâneas de frases soltas que os livros do passado traziam), e não deve ser elaborado para ser trabalhado com "decorebas", e sim em aulas bastante práticas, nas quais o aluno tenha bastante oportunidades de expressar sua própria opinião a respeito dos temas (considerando que todos alunos tenham oportunidade de conversar).

Resumindo: Os livros (e demais materiais didáticos) devem ter boa qualidade de impressão (ou gravação, no caso de fitas etc), e, mais que tudo, devem ser "comunicativos"!


A PARTICIPAÇÃO DO ALUNO -

O aluno? Bem, o aluno é você! E você, com certeza, seguirá as instruções que o professor lhe passar.
Portanto, mesmo que o aluno - você - não trabalhe de forma a obter o melhor aproveitamento possível da aula, na maioria das vezes a culpa não pode lhe ser atribuida. Muitas vezes é o professor que não sabe instruí-lo a tirar o melhor proveito das aulas.

Mas apenas uma advertência: Procure sim colaborar da melhor forma possível em sala de aula, ou seja, seguindo todas instruções que lhe forem passadas. Não fique julgando se determinado exercício vai ser útil ou não, se parece muito bobo ou não etc. Às vezes, algo que um aluno menospreza por achar "desnecessário" em determinada aula, pode-lhe fazer muita falta para a compreensão de coisas novas nas aulas seguintes!

Ou seja: Tendo escolhido um bom curso/ professor, acredite nele, e nunca menospreze nenhum exercício que lhe seja passado.


Agora que você já sabe da importância da escola (ou ambiente de estudo), do professor, do material didático e da participação do aluno em uma aula de inglês, você já percebeu que a escolha de um método vai muito além da simples escolha de um livro.

Escolha um método que valorize todos estes pontos (o local de estudo, o professor, o material didático e o aluno) e que, principalmente, valorize a perfeita integração entre eles!



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