É Mais Fácil
Aprender Inglês
na Infância?
 
(J. Rodegheri)



Sim, sem sombra de dúvida é mais fácil aprender inglês na infância. Na verdade, crianças têm imensa facilidade para aprender qualquer idioma!

No entanto, se vier à sua lembrança aquela infinidade de pessoas que dizem "Estudei inglês na infância, mas não consegui aprender nada na época, só fui aprender mesmo alguma coisa depois que cresci"... saiba que por APRENDER UM IDIOMA não estamos falando em apenas decorar palavras soltas, como ocorre nestes cursos infantis de idiomas (onde o progresso é medido pela quantidade de palavras decoradas, não pela capacidade de compreensão do inglês falado nem pela capacidade de criar livremente - Resultado: estas palavras soltas são facilmente esquecidas com o tempo e a pessoa só vai aprender mesmo depois que estudar com mais afinco futuramente).

Portanto, observando a quantidade de pessoas que não conseguiram sucesso com estes métodos, fica fácil perceber que o motivo pelo qual crianças aprendem idiomas mais facilmente não é por uma imensa capacidade de DECORAR palavras, pois não se aprende nenhum idioma desta forma.

De uma forma bem resumida, podemos afirmar que as crianças aprendem idiomas mais facilmente principalmente por estes cinco motivos:

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1- Elas são mais abertas a novas idéias e conceitos.

E nem poderia ser de outra forma, afinal, para a criança tudo é novo. Se não gostasse de novos desafios, novas idéias, ela simplesmente não iria aprender nada e viveria como um vegetal.

O adulto, por sua vez, já tendo visto tudo que ele acha que deveria aprender, passa a considerar tudo que for novo como sendo algo que "foge às regras", criando um preconceito que muito atrapalha o aprendizado de uma língua estrangeira.

Por exemplo, quando um adulto se depara com o pronome neutro em inglês ("it"), sua tendência é a de criticar: "Para que inventam uma coisa dessas? Só para dificultar! Por isso que inglês é difícil!" etc etc... (A palavra inglesa "it" não indica sexo, ao contrário das palavras portuguesas "ele" (masculino) e "ela" (feminino) - assim diz-se "It is big" se estivermos falando de uma casa ("Ela é grande"), e não "She is big".)

Da mesma forma, o adulto cria resistência à todas outras coisas que o inglês tem de diferente do português (ou seja, quase toda a base da língua!), o que faz com que não seja nenhum espanto que crianças, por não possuirem este tipo de preconceito, aprendam inglês muito mais facilmente.


2- Crianças estão sempre interessadas em praticar o que aprendem.

Imagine, por exemplo, um adulto aprendendo como ligar um equipamento: enquanto seu colega de trabalho explica, ele fica com os braços cruzados, observando atentamente (geralmente fazendo "cara de conteúdo") e, ao final da explicação, poderá dizer algo como "Ok, é fácil, entendi"... O mais provável, inclusive, é que, quando seu colega perguntar "Quer experimentar?" ele diga orgulhosamente "Não precisa não, já entendi bem"...

Agora imagine uma criança na mesma situação... Quem convive com crianças sabe que o mais provável é que, antes mesmo que você acabe a explicação, ela já pule sobre a máquina aos gritos de "Deixa eu fazer! Deixa eu fazer!"...

Isso é uma diferença maravilhosa no "sistema de aprendizado" das crianças; instintivamente a criança sabe que para realmente aprender algo - da forma mais EFICIENTE e RÁPIDA (e FÁCIL também) - ela precisa praticar!

Esta diferença também se nota no aprendizado de línguas. Enquanto a maioria dos adultos acha que "praticar" é perda de tempo (afinal, já estudou e já "aprendeu", então para que perder tempo praticando?) as crianças querem usar tudo que aprenderam o mais rápido possível, o que, evidentemente, ajuda em muito o aprendizado de uma nova língua.


3- Crianças observam mais e analisam menos.

Os dois ítens acima - "Aceitar Novas Idéias" e "Praticar O Que Aprende" - podem trazer à mente do adulto uma idéia de aprendizado formal: durante a aula de inglês, o aluno parado ouvindo as explicações do professor, aceitando-as e em seguida colocando-as em prática.

Mas não é de nada disso que tratam os dois itens acima. Novas idéias são muito mais facilmente passadas a crianças através de exemplos práticos, reais, do que através de explicações, simplesmente pelo fato de que elas não possuem paciência para muitas explicações.

Elas sabem que apenas observando serão capazes de fazer igual, sem se preocuparem em transformar tudo que observaram em fórmulas matemáticas, notas, tabelas etc (na verdade elas nem sabem fazer essas coisas).

E isto nos leva necessariamente ao quarto tópico:


4- Crianças confiam mais no sub-consciente.

Na verdade, o processo de compreensão de um idioma é algo muito mais sub-consciente que consciente. É como digerir a comida, por exemplo - nosso cérebro comanda todo este processo, mas nós não temos que dar ordens de forma consciente para que isto ocorra (ou, citando um exemplo mais relacionado a "conhecimento", é como digitar bem usando todos os dedos, escolhemos cada letra do teclado corretamente, porém de forma sub-consciente).

Note que quando estamos ouvindo alguém falando em português, não temos muita consciência das palavras que estão sendo usadas, cada uma delas mantém-se em nossa mente somente por uma fração de segundo - por muito menos tempo do que seria necessário para que conseguíssemos "analisá-la" de forma consciente, sobressaindo (=ficando mais tempo em nossa mente) somente uma ou outra palavra de vez em quando.

Calcula-se que a velocidade do pensamento consiga atingir cerca de 800 palavras por minuto (são 13 palavras por segundo, muito mais do que é possível "analisar" de forma consciente!) e que uma pessoa produza, em média, 125 palavras por minuto quando está falando (mais que duas palavras por segundo), encontrando limitações para não ir muito além de 200 palavras por minuto somente no aparelho bucal (não no cérebro).

Tudo isto é fato conhecido por qualquer estudioso do tema, porém a maioria dos adultos simplesmente recusam-se a confiar em seu sub-consciente quando o assunto é aprender um novo idioma!

Já as crianças aprendem mais rapidamente porque quando estão ouvindo neste novo idioma, por exemplo, estão mais preocupadas em entender o que está acontecendo, qual fato está sendo transmitido etc, do que em analisar qual palavra está sendo usada, quantas palavras não conhecem etc. Resultado: a parte (responsável pela comunicação) sub-consciente do cérebro delas acostuma-se com o novo idioma muito mais rapidamente!

Aliás, este tópico tem muito a ver com o próximo que analisaremos:


5- Crianças não têm medo de errar.

Não apenas não têm medo de errar em termos de terem mais confiança de que, de alguma forma (mesmo que não conscientemente), irão entender o que está sendo dito na língua estrangeira, mas também não têm medo de errar quando estão praticando falar.

Isto não significa que não errem, erram sim, mas corrigem os erros muito mais rapidamente (e, portanto, aprendem muito mais rapidamente) do que aquelas pessoas que, durante uma aula de inglês, por exemplo, estão sempre tomando o máximo cuidado na elaboração de cada frase, precisando, em consequência disto, de muito mais tempo para praticarem (e, portanto, de muito mais tempo para aprenderem).

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Aqui chegamos ao fim dos 5 principais motivos pelos quais uma criança é capaz de aprender uma língua muito mais facilmente que um adulto, e podemos tirar algumas conclusões extras do que foi visto:

a- Se o adulto procurar agir mais como as crianças no que se refere a estes 5 tópicos, ele também poderá aprender um idioma muito mais facilmente - aliás, pessoas (adultos) que são consideradas como tendo "facilidade para idiomas" são simplesmente pessoas que, por características da sua personalidade, naturalmente agem desta forma quando estão estudando inglês - ou qualquer outro idioma estrangeiro (note que isto não tem nada a ver com uma inteligência maior ou menor!).

b- Crianças aprendem mais facilmente sim, porém somente se o método de ensino for adequado para tirar o máximo proveito destas características que permitem que elas aprendam tão facilmente. Um método que insista em ensinar crianças como se fossem adultos, ou seja, usando teoria demais, decoreba demais, análise demais etc, não vai conseguir fazer com que elas aprendam nada (caindo no problema, tão comum, comentado no começo deste texto (pessoas que estudaram inglês quando crianças mas só foram aprender alguma coisa depois de adultos)).

c- O ambiente ideal para tirar o máximo proveito destas características da personalidade infantil é um ambiente de convívio natural (motivo pelo qual crianças que moram em outros países durante algum tempo acabam aprendendo o novo idioma bem rapidamente), não sendo possível isto, o professor tem que procurar "simular" ao máximo as características deste ambiente natural durante as aulas.

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Este artigo não tem a pretensão de ser completo (há muito material sobre este tema, tanto na internet quanto impresso, apresentando inclusive várias outras nuances que não foram mencionadas aqui), mas serve como um alerta - tanto para pais quanto para educadores - para que não "desperdicem" (nem "estraguem") esta facilidade natural que as crianças possuem com relação a aprender inglês, idioma que, se já é muito importante hoje em dia, será simplesmente vital para qualquer carreira no futuro.




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